Nota: Este artigo é informativo e baseia-se em tradição popular e estudos disponíveis. Não substitui aconselhamento médico profissional.
O Que As Avós Sabiam
O poejo — Mentha pulegium, também chamado de poejinho, poelho, ou hortelã-do-ribeiro, é uma das plantas medicinais mais queridas da tradição portuguesa. Na Primavera, quando os campos ribatejanos, beirões e alentejanos se enchem de aromas frescos, as avós saíam com cestos de verga para colher o poejo junto a ribeiras frescas, valas húmidas ou nas bordas dos lameiros. A planta, de folhas pequenas, peludinhas e com um aroma inconfundível, era considerada ouro verde para a saúde caseira. O poejo acompanha a história rural de Portugal há séculos. Desde o tempo dos romanos, que o mencionavam como planta aromática, até às cozinhas das aldeias onde o chá de poejo era infalível após refeições pesadas ou em noites frias de Primavera para “afastar as constipações”. O seu nome varia de região para região — no Alentejo é poejo, nas Beiras pode ouvir-se poejinho, e no Alto Minho há quem o chame hortelã-dos-campos. Os mais velhos sabiam: para digestão difícil, barriga inchada ou tosse persistente, um chá de poejo era dos primeiros remédios a experimentar. O hábito de preparar chá de poejo sobreviveu ao tempo, passado de geração em geração, e mantém hoje um lugar especial nas Pharmácias da Avó, celebrando o equilíbrio entre tradição e cuidado natural.Propriedades e Benefícios
A palavra-chave “chá de poejo benefícios” remete-nos para um conjunto de usos tradicionais, muitos deles estudados pela fitoterapia moderna. O poejo pertence à família das mentas (Lamiaceae) e contém óleos essenciais como a pulegona, mentona e mentol, além de flavonoides e taninos. A sua ação reconhecida em saberes populares — e parcialmente validada por estudos — inclui:- Digestão: O chá de poejo é tradicionalmente usado para aliviar digestões pesadas, flatulência e cólicas, graças ao seu efeito ligeiramente carminativo.[1]
- Tosse e constipações: O aroma intenso do poejo pode ajudar a desobstruir as vias respiratórias e acalmar a tosse. Nas aldeias, era comum adoçar o chá com mel e tomá-lo quente nas mudanças de estação.
- Cólicas infantis: Em pequenas quantidades, as avós preparavam infusões suaves para ajudar bebés e crianças com dores de barriga (sempre com moderação e sob supervisão adulta).
- Propriedades antissépticas: O óleo essencial de poejo tem sido estudado pelas suas propriedades antimicrobianas, sugerindo utilidade em infusões para gargarejos ou mesmo como cataplasma.[2]
- Relaxamento: O efeito calmante e ligeiramente sedativo do chá de poejo é apreciado após refeições ou antes de dormir.
Como Preparar
A preparação do chá de poejo à moda antiga é um ritual simples, que respeita a frescura da planta e o saber das mãos experientes. Colheita: O poejo deve ser apanhado em plena floração, idealmente durante a manhã, quando os óleos essenciais estão mais concentrados. Prefira plantas jovens e sem sinais de fungos ou pragas. Evite recolher junto a estradas ou locais poluídos. Secagem: Distribua os ramos de poejo num local seco, arejado e à sombra. Vire-os de vez em quando até as folhas ficarem quebradiças ao toque. Guarde em frascos herméticos de vidro, longe da luz. Preparação do chá:- Use 1 colher de chá (aprox. 5g) de folhas secas de poejo para cada 250 ml de água
- Aqueça a água até aos 85°C (antes de levantar fervura)
- Deite a água sobre o poejo, tape e deixe em infusão durante 7 minutos
- Coe e beba simples, ou com um pouco de mel, especialmente em casos de tosse
Receita da Avó
Coloque 1 colher de chá (5g) de poejo seco numa chávena. Ferva 250ml de água e deixe arrefecer ligeiramente (até 85°C). Verta sobre o poejo, tape com um pires e aguarde 7 minutos. Coe e reserve. Se desejar, adoce com uma colher de chá de mel puro. Beba morno, de preferência após as refeições ou ao deitar, para acalmar o estômago e o peito.
- Cataplasma: Folhas frescas esmagadas e aplicadas sobre picadas de insetos ou pequenas feridas.
- Tintura: Poejo macerado em aguardente, usado em fricções para aliviar dores reumáticas (uso externo).
Quando Usar e Quando Evitar
Quando usar:- Após refeições pesadas, para ajudar na digestão
- Ao sentir os primeiros sinais de constipação ou tosse (especialmente na Primavera e Outono)
- Para aliviar gases ou cólicas ligeiras
- Em situações de ansiedade leve ou insónia
- Gravidez: O poejo é desaconselhado a grávidas devido ao risco de contrações uterinas e toxicidade da pulegona
- Amamentação: Não recomendado
- Crianças pequenas: Só em infusões muito suaves e por indicação profissional
- Pessoas com doenças hepáticas ou renais: Evitar, devido ao potencial tóxico em doses elevadas
- Uso prolongado: Não recomendado. Alterne com outras plantas e consuma em moderação
Na Pharmácia da Avó
Na nossa Pharmácia da Avó, o poejo mantém-se como ingrediente de eleição em blends primaveris e digestivos. Combina-se com camomila, funcho e casca de laranja para criar infusões suaves, ideais para depois do almoço ou em noites frias. Usamos apenas poejo colhido em modo tradicional, seco ao ar e armazenado em frascos de vidro escuro, para preservar todo o aroma e as propriedades. O chá de poejo é também estrela em infusões para constipação, onde pode ser misturado com tomilho, malva ou limonete — sempre em proporções equilibradas, para garantir sabor e eficácia. O respeito pela dose e pelo tempo de infusão é rigoroso: nunca mais de 5g por chávena, e nunca mais de duas chávenas por dia em adultos saudáveis.Outras Plantas Complementares
O saber das avós ensina que o poejo ganha ainda mais força quando combinado com outras plantas de propriedades complementares:- Camomila (Matricaria recutita): Para reforçar o efeito calmante e digestivo.
- Tomilho (Thymus vulgaris): Excelente para o trato respiratório, em sinergia com o poejo durante gripes e constipações.
- Funcho (Foeniculum vulgare): Potencia o efeito carminativo, ajudando a aliviar gases e desconfortos abdominais.
- Limonete (Lippia citriodora): Dá frescura e um toque cítrico, equilibrando o aroma intenso do poejo.
[1] Estudo sobre propriedades carminativas do poejo
[2] Propriedades antimicrobianas do óleo essencial de poejo