Nota: Este artigo é informativo e baseia-se em tradição popular e estudos disponíveis. Não substitui aconselhamento médico profissional.

O Que As Avós Sabiam

O poejo — Mentha pulegium, também chamado de poejinho, poelho, ou hortelã-do-ribeiro, é uma das plantas medicinais mais queridas da tradição portuguesa. Na Primavera, quando os campos ribatejanos, beirões e alentejanos se enchem de aromas frescos, as avós saíam com cestos de verga para colher o poejo junto a ribeiras frescas, valas húmidas ou nas bordas dos lameiros. A planta, de folhas pequenas, peludinhas e com um aroma inconfundível, era considerada ouro verde para a saúde caseira. O poejo acompanha a história rural de Portugal há séculos. Desde o tempo dos romanos, que o mencionavam como planta aromática, até às cozinhas das aldeias onde o chá de poejo era infalível após refeições pesadas ou em noites frias de Primavera para “afastar as constipações”. O seu nome varia de região para região — no Alentejo é poejo, nas Beiras pode ouvir-se poejinho, e no Alto Minho há quem o chame hortelã-dos-campos. Os mais velhos sabiam: para digestão difícil, barriga inchada ou tosse persistente, um chá de poejo era dos primeiros remédios a experimentar. O hábito de preparar chá de poejo sobreviveu ao tempo, passado de geração em geração, e mantém hoje um lugar especial nas Pharmácias da Avó, celebrando o equilíbrio entre tradição e cuidado natural.

Propriedades e Benefícios

A palavra-chave “chá de poejo benefícios” remete-nos para um conjunto de usos tradicionais, muitos deles estudados pela fitoterapia moderna. O poejo pertence à família das mentas (Lamiaceae) e contém óleos essenciais como a pulegona, mentona e mentol, além de flavonoides e taninos. A sua ação reconhecida em saberes populares — e parcialmente validada por estudos — inclui: Importa sublinhar que, embora haja estudos sobre os constituintes do poejo, a maior parte dos benefícios reportados baseia-se em tradição e uso empírico. O consumo deve ser moderado, respeitando as indicações de segurança, especialmente devido à pulegona, um composto que pode ser tóxico em doses elevadas.

Como Preparar

A preparação do chá de poejo à moda antiga é um ritual simples, que respeita a frescura da planta e o saber das mãos experientes. Colheita: O poejo deve ser apanhado em plena floração, idealmente durante a manhã, quando os óleos essenciais estão mais concentrados. Prefira plantas jovens e sem sinais de fungos ou pragas. Evite recolher junto a estradas ou locais poluídos. Secagem: Distribua os ramos de poejo num local seco, arejado e à sombra. Vire-os de vez em quando até as folhas ficarem quebradiças ao toque. Guarde em frascos herméticos de vidro, longe da luz. Preparação do chá:

Receita da Avó

Coloque 1 colher de chá (5g) de poejo seco numa chávena. Ferva 250ml de água e deixe arrefecer ligeiramente (até 85°C). Verta sobre o poejo, tape com um pires e aguarde 7 minutos. Coe e reserve. Se desejar, adoce com uma colher de chá de mel puro. Beba morno, de preferência após as refeições ou ao deitar, para acalmar o estômago e o peito.

Outras utilizações tradicionais:

Quando Usar e Quando Evitar

Quando usar: Quando evitar: Se tem dúvidas, historial de alergias a plantas da família das mentas, ou toma medicação regular, converse sempre com um profissional de saúde antes de introduzir o poejo na sua rotina.

Na Pharmácia da Avó

Na nossa Pharmácia da Avó, o poejo mantém-se como ingrediente de eleição em blends primaveris e digestivos. Combina-se com camomila, funcho e casca de laranja para criar infusões suaves, ideais para depois do almoço ou em noites frias. Usamos apenas poejo colhido em modo tradicional, seco ao ar e armazenado em frascos de vidro escuro, para preservar todo o aroma e as propriedades. O chá de poejo é também estrela em infusões para constipação, onde pode ser misturado com tomilho, malva ou limonete — sempre em proporções equilibradas, para garantir sabor e eficácia. O respeito pela dose e pelo tempo de infusão é rigoroso: nunca mais de 5g por chávena, e nunca mais de duas chávenas por dia em adultos saudáveis.

Outras Plantas Complementares

O saber das avós ensina que o poejo ganha ainda mais força quando combinado com outras plantas de propriedades complementares: A tradição popular e a fitoterapia moderna encontram, no chá de poejo, um exemplo luminoso de como as plantas podem apoiar o bem-estar, desde que usadas com respeito, moderação e consciência dos seus limites.
[1] Estudo sobre propriedades carminativas do poejo
[2] Propriedades antimicrobianas do óleo essencial de poejo